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Intervenção artística pontua direitos das mulheres e enfrentamento à violência na Praça Mauá

Imagens integram resultado do Curso DELAS, projeto de formação do Observatório de Favelas para mulheres negras e moradoras de favelas

Arte, protagonismo feminino e enfrentamento à violência de gênero caminham lado a lado quando falamos do “Curso DELAS: Direitos, Políticas e Arte”, iniciativa do eixo de Direito à Vida e Segurança Pública do Observatório de Favelas. DELAS consiste em uma formação que exponencia a atuação de mulheres negras e moradoras de favelas e periferias na conquista de seus direitos e no enfrentamento de violências que assolam seus corpos e narrativas. Neste ano, aconteceu a segunda edição nos meses de junho e julho. Durante o percurso,  as participantes mergulharam em uma jornada de reflexão e percepção de suas potencialidades e direitos.

Como um extensão do que foi abordado durante as aulas, as alunas se mobilizaram ainda em uma intervenção artística que levou aos muros da zona portuária do Rio de Janeiro, a Praça Mauá, imagens que gritam através de colagens e elementos gráficos a necessidade de se debater continuamente estratégias que assegurem a vida das mulheres. Para a diretora do Observatório de Favelas e coordenadora Geral do Programa de Direito à Vida e Segurança Pública, Raquel Willadino, “o projeto é essencial pois sintetiza questões que foram centrais nos debates relacionados ao enfrentamento de desigualdades e violências de gênero no decorrer do Curso DELAS. As palavras e imagens que integraram a intervenção refletem fazeres políticos e artísticos de mulheres que têm produzido importantes ações de resistência, defesa de direitos e afirmação da vida em territórios periféricos”, afirma.

Assim, em uma ação que durou toda a tarde do dia 26 de novembro, foi possível estabelecer através de uma comunicação não-verbal pelas paredes do centro urbano carioca, os mecanismos metafóricos e os literais que integram o DELAS. A pesquisadora do eixo de Direito à Vida e Segurança Pública do Observatório de Favelas, Natalia Viana, pontua que uma ação desse porte é importante para a própria constituição do que é uma cidade. “É interessante perceber assim, pelo menos aqui onde está acontecendo a ação, a circulação de mulheres pela cidade e a sua relevância para a própria constituição da sociedade. É necessário perceber como essas mulheres circulam, produzem e criam diferentes formas de gestão. Nesse sentido, fazer uma intervenção dessa, que conta com a participação majoritária de mulheres negras, com essa atuação ativa na perspectiva de formação, além de ser voltada para mulheres de periferia e mulheres negras, é fundamental”.

Os lambes distribuídos são parte do percurso artístico das participantes ao longo da Formação. A iniciativa parte de uma das premissas do Curso que é utilizar os potenciais artísticos como ferramenta para pautar os temas que foram dialogados ao longo do DELAS.

Para Viana, “existe uma demanda envolvendo mulheres e muitos movimentos que é para que a gente saia de um discurso único de sofrimento e tristeza. É óbvio que vamos ter na própria formação artística e intelectual das mulheres, uma denúncia sobre essa realidade que é atravessada pelo sexismo, machismo, racismo e outros tipos de opressão, mas é importante encontrar caminhos para conseguir comunicar outras formas de vida e de bem viver assim. Então a arte se torna um caminho possível para expressar essa potencialidade que as mulheres têm e sempre produziram na sociedade”, acrescenta.

Intervenção DELAS, iniciativa do eixo de Direito à Vida e Segurança Pública do Observatório de Favelas, contou com colagem de lambes pela Praça Mauá. Foto: Rosilene Miliotti / Imagens do Povo.

Entre Encruzas
A artista e educadora, Thais Ayomide, foi a responsável pelo módulo artístico do curso DELAS e destaca que é necessário cada vez mais obras que pautem temas que estejam relacionados a mulheres e sejam comunicados por mulheres. Através da performance “Entre Encruzas”, produção autoral de Thais que mescla o hibridismo da poesia e do movimento corporal, que também foi realizada durante a intervenção, ela busca aplicar essa retomada da autonomia do protagonismo feminino em suas próprias narrativas. “Eu acho que quando a gente pensa no processo artístico, pensamos numa retomada da autonomia, pensamos em poder existir. Uma das coisas que a gente falou muito durante as nossas aulas, principalmente nas aulas artísticas, era o que gritava em nossos corpos. E vir para a rua trazendo essas obras, é deixar ecoar esse grito de forma mais expansiva para que ele tome o espaço, alcance outros corpos e para que ele comunique e faça sentido para outras mulheres também”, acrescenta.

Ayomide aponta que o diferencial da formação foi pautar a violência a partir de uma perspectiva de memória e do território. “Essas aulas foram super bacanas porque a gente conseguiu falar sobre esse tema num processo de memória muito denso, mas também muito ancestral e necessário, como por exemplo sobre a ausência da fotografia nos nossos fazeres poéticos e o quanto essa ausência gritava. Por isso, por ela gritar, ela também diz que a gente precisa refazer as nossas imagens e eternizar as nossas histórias. Eu acho que foi muito potente todas as gavetas que a gente abriu e todas as poesias que a gente conseguiu escrever através dessas atividades da formação”, completa.

A educadora pontua ainda o valor de se pensar em ações que partam do campo do afeto, numa perspectiva de causar um impacto pelas múltiplas produções artísticas e histórias que são narradas. “Eu acho que o afeto ele vem num lugar que não é brando. Ele não vem no lugar de sossego, de ser só carinho. Às vezes ele vem no sentido de apertar mesmo, de falar sobre algo que faça sentido para mim e para os outros. Nesse caso, eu sinto que o DELAS traz esse afeto quando falamos de nós. Sabe quando uma aluna chega numa aula e se sente confortável para abrir algo da vida dela? É afeto porque ela sabe que ali é um espaço seguro e, quando a gente estabelece esse lugar de segurança, a gente também estabelece a possibilidade de diálogo”, finaliza.

Thais Ayomide realiza a performance “Entre Encruzas” durante a Intervenção DELAS. Foto: Rosilene Miliotti / Imagens do Povo.

Você pode acompanhar como foi a ação de colagem de lambes e a performance “Entre Encruzas” no vídeo síntese produzido pelo Camisa Preta, além de conhecer mais sobre o Curso DELAS no Diário de Bordo – Pensar Poético.

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