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Os 20 anos do Observatório de Favelas – Entrevista com Elionalva Sousa

Matéria: Gabrielle Araujo (gabrielle@observatoriodefavelas.org.br)
Arte gráfica: Marcella Pizzolato (marcella@observatoriodefavelas.org.br)

Co-fundadora comenta sobre desafios, conquistas e anseios futuros para a Organização

Agosto é sempre um mês de festa para o Observatório de Favelas, pois é quando se comera o aniversário da instituição. Especialmente em 2021, a organização celebra 20 anos de uma iniciativa calcada em formação, amplificação de narrativas e fortalecimento das favelas e periferias.

Como uma grande rede, que conecta projetos, instituições e, principalmente, pessoas, a sede da Instituição está localizada na Nova Holanda, uma das maiores favelas que integram a Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. O compromisso do OF vai para além de estabelecer pontes entre ativistas, pesquisadores e demais sujeitos em contínua formação, mas também o de assegurar caminhos possíveis para a redução das desigualdades sociais e fortalecimento da democracia, a partir das favelas e periferias.

Formada em 2001, como um programa do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS), a Organização passou por consideráveis reformulações ao longo dos anos. Nesse contexto, Políticas Urbanas, Educação, Comunicação, Arte e Território, Direito à Vida e Segurança Pública encabeçam os eixos no qual o Observatório de Favelas incide, formula e produz conhecimento.

Para dialogar com maior precisão sobre essa história, convidamos a Elionalva Sousa, co-fundadora do OF, para compartilhar conosco a sua rica perspectiva de atuação e pontuar sobre os desafios, conquistas e planos futuros. Confira na íntegra.

Nalva, gostaria de começar com você se apresentando. Pode nos contar um pouco sobre você e como chegou no Observatório de Favelas?
Eu sou Elionalva Sousa, paraibana da cidade de Serra Branca. Cheguei pra morar na Maré na década de 70, onde vivi por quase trinta anos. Sou Graduada em Pedagogia, com Especialização em Gestão de Projetos no Terceiro Setor e Mestrado em Bens Culturais e Projetos Sociais.

Sou co-fundadora do Observatório de Favelas e tive o prazer de trabalhar com tantos queridos que em 2001 se juntaram em ações que deram origem ao que o Observatório de Favelas vem constituindo até hoje. Jailson de Souza, Jorge Barbosa, Fernando Lannes, Glauco Bruce, Thiago Fragoso, Mário Pires, Wellen Lírio, Diógenes Pinheiro, Monique Batista, muita gente incrível. Dos fundadores, sou a única que ainda está no OF. Sigo com minhas companheiras Raquel Willadino e Isabela Souza e com uma equipe incrível.

Nalva, você acompanhou o processo de construção do Observatório? Conte-nos como foram esses momentos?
O Observatório de Favelas nasceu no IETS – Instituto de Estudo do Trabalho e Sociedade. Entre 2001 e 2003, realizamos um Programa intitulado Observatório Social de Favelas, que almejava constituir-se como uma rede sociopedagógica – integrada por Professores universitários e estudantes, institutos de pesquisa e organizações comunitárias – voltada para os espaços locais e para o conjunto da cidade. Este Programa foi muito inovador e teve muita repercussão, e nos inspirou a nos institucionalizar. Em 2003, ganhamos autonomia e um espaço cedido na Maré. Somente em 2005, conseguimos um espaço pra chamar de nosso, onde estamos até hoje.

Nesse nosso espaço, fomos ampliando nossas ações e chegando a muita gente criativa e inspiradora. Há hoje muitas organizações que são lideradas por jovens que passaram por algum projeto realizado pelo Observatório de Favelas e algumas organizações foram criadas dentro do Observatório de Favelas. Seguimos fazendo conexões em outros municípios do Rio, em outros estados e em outros países. São muitas histórias inspiradoras, muitas celebrações por cada ação, conquista, entrega, parceria e conexão feita, mas também foram 20 anos de muitas enchentes em nossa sede, períodos de dureza, resiliência e resistência. Tudo isso movido pela alegria de estamos construindo novas histórias e narrativas a partir da favela

Nesses 20 anos, quais foram os principais desafios de gerenciar um espaço voltado para formação, amplificação de narrativas e fortalecimentos das favelas? Quais destaques você pontua dessa jornada?
Nesses 20 anos de Observatório, atuei como entrevistadora, articuladora, pesquisadora, produtora, coordenadora de campo, coordenadora pedagógica e por fim, gestora. Essas várias frentes de atuação aconteciam conforme as demandas da instituição. Quando fui para a gestão, tive que buscar ajuda e formação complementar para dar conta deste desafio. A realidade de sustentabilidade das organizações sociais em se manterem com o apoio aos projetos e não à instituição, faz com que surjam organicamente gestores institucionais.

Fazer gestão de uma organização com tantas frentes de atuação, tão potente e tão diversa é um desafio muito grande. Envolve muita paixão, escassez de recursos, criatividade, resiliência e, principalmente, muito diálogo e articulação constante nos territórios e com os diversos públicos.

Com a chegada da pandemia, como o Observatório conseguiu continuar promovendo as suas atividades e potencializar a sua atuação?
Em função da pandemia COVID-19, tivemos que reprogramar nossas ações e formas de funcionamento. Algumas ações se tornaram online e outras tornaram-se híbridas. No entanto, o compromisso com o nosso propósito e nossos públicos e parceiros, permaneceu sempre potente e numa perspectiva de fortalecimento de nossa rede, sobretudo no enfrentamento da Covid-19. O maior desafio foi manter a saúde mental da equipe.

Para o futuro, quais as expectativas do Observatório?
Continuar com uma equipe incrível, buscando novos caminhos para reduzir as desigualdades e fortalecer as favelas e periferias como territórios potentes em constante construção de novas representações e narrativas desses espaços. Que venham mais 20 anos!

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